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A história do vinho

parte 2


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A prática e as crenças cristãs derivam diretamente dos rituais gregos e romanos. O emprego do vinho nos sacramentos tem vínculos diretos com o judaísmo, mas é com o culto de Dioniso, deus grego do vinho, e de Baco, seu equivalente romano, que podem ser encontradas as semelhanças mais fortes. De acordo com. a lenda, Dioniso levou o vinho para a Grécia da Ásia Menor, a atual Turquia. Filho de Zeus, Dioniso teve duplo nascimento, um humano e o outro divino (o mito é bastante obscuro...). No primeiro nascimento sua mãe era uma simples mortal, Semele. Ele era a vinha, e o vinho, seu sangue.

Baco, deus romano do vinho, oriundo de Dionínio, também deus do vinho, só que para os gregosOs romanos, cuja expansão acompanhou o declínio da Grécia, retomaram os deuses gregos e os acrescentaram aos seus. Desse modo, Dioniso transformou-se em Baco - nome que lhe era dado nas cidades gregas da Lídia, na Ásia Menor. De deus do vinho, Baco se transformou em salvador. Seu culto se espalhou entre as mulheres, os escravos e os pobres - os imperadores tentaram proibi-Io, porém não tiveram muito sucesso.

O cristianismo, cujo desenvolvimento é indissociável do desenvolvimento do Império Romano, retomou inúmeros símbolos e ritos do culto a Baco, atraindo, num primeiro momento, as mesmas categorias de fiéis. O significado da Eucaristia é um assunto demasiadamente complexo para ser abordado em apenas algumas linhas. Notemos simplesmente que o vinho da comunhão era ao menos tão necessário a uma assembléia de cristãos quanto a presença de um padre. Devido a esse lugar fundamental que ocupava na prática religiosa, o vinho iria subsistir mesmo no período sombrio das invasões bárbaras que se seguiu ao declínio de Roma.

Os monges e o vinho

O vinho estava ligado ao modo de vida mediterrâneo. Ao norte dos Alpes, diante das turbas de invasores ferozes, as atividades sedentárias como por exemplo a cultura da vinha - corriam perigo. Só a Igreja, que tinha necessidade de vinho e era capaz de assegurar uma continuidade, permitiu a sobrevivência da viticultura. Quando a Europa emergiu desses tempos agitados, era em torno dos mosteiros e das catedrais que se encontravam os vinhedos.

Durante a Idade Média praticamente só existiu produção de vinho perto dos monastériosOs monges não se contentaram em fazer vinho: eles o melhoraram. Na Idade Média, os cistercienses da Borgonha foram os primeiros a estudar o solo da Côte d'Or e a transformar os vinhedos selecionando as melhores plantas, experimentando a poda e escolhendo as parcelas não expostas ao gelo, aquelas que davam as uvas mais maduras, Eles cercaram os melhores vinhedos com muros: os cercados que sobrevivem, ainda que apenas por meio de seu nome, testemunham a perspicácia desses monges vinhateiros.

A vida tornou-se pouco a pouco pacífica, o que permitiu a expansão dos vinhedos e reanimou o comércio. Com essa ressurreição dos negócios, foram criadas as grandes frotas do vinho: centenas de navios que viajavam com destino a Londres ou aos portos da Hansa. Os rios também se tornaram importantes rotas comerciais: como os barris cheios de vinho eram pesados e seu carregamento era incômodo, o transporte por barco era o mais indicado.

Para o homem da Idade Média, o vinho e a cerveja não eram um luxo, mas uma necessidade. As vilas ofereciam uma água impura - muitas vezes perigosa à saúde. Cumprindo o papel de anti-séptico, o vinho constituía um elemento da medicina rudimentar da época.

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