parte 3
Sarazin conseguiu obter a patente francesa para o referido motor e encarregou Levassor da sua construção. Segundo a lei francesa, os motores deviam ser construídos na França, e não montados com peças importadas de Stuttgart. O carro como é hoje conhecido começou a ganhar forma nas oficinas de Panhard e Levassor. No seu primeiro modelo, fabricado em 1890, o motor encontrava-se montado na parte central do veículo. No ano seguinte foi fabricado um outro carro, desta vez com o motor montado à frente, protegido da lama e da poeira presentes nas estradas, que nada mais eram do que caminhos para carroças. Nesta sua nova posição, o motor impôs ao carro um novo esquema mecânico que iria subsistir nos setenta anos seguintes.
Inovações
revolucionárias de Levassor
A contribuição de Levassor para a evolução do
carro foi decisiva. Ele substituiu a transmissão por correias de
embreagem e caixa de mudanças, estabeleceu o sistema motor dianteiro-tração
nas rodas traseiras e foi o primeiro a conceber um carro como uma máquina
única, e não apenas como um triciclo motorizado ou uma carruagem
sem cavalos. Este critério levou-o a criar carros de qualidade e
de técnica avançada.
A utilização do radiador tubular, que consistia num conjunto de tubos com aletas de refrigeração colocados na frente do motor, deve-se também a Levassor.
Na época da morte de Levassor, em 1897, o carro já adquirira sua própria identidade. Os cilindros do motor passaram então a ser dispostos em linha, e não em V, solução primeiramente adotada. A partir desse momento, tornava-se mais fácil para o construtor dar maior potência a um motor, bastando acrescentar a este mais cilindros. Em 1902, a Gasmobile, na América, a Boulet, na França, e a Spyker, na Holanda, haviam já experimentado utilizar 6 cilindros e, no ano seguinte, a British Napier iniciou a produção de um motor com 6 cilindros em linha.
O carro, embora tivesse surgido na Alemanha e sido aperfeiçoado na França, já era fabricado nos Estados Unidos e na Inglaterra antes da passagem do século. O primeiro automóvel americano, o Duryea, começou a circular em 1893.
A contribuição
inglesa
Apenas um técnico inglês, Frederick Lanchester, não
permitiu que o seu talento fosse sufocado pela legislação
ou pelo fato de no continente existirem modelos mais avançados. O
seu carro mais famoso, o modelo de 2 cilindros, de 1897, apresentava uma
caixa de mudanças de engrenagens planetárias, transmissão
por eixo e cardan, em vez de transmissão por corrente, eixo traseiro
primário acionado por um sem-fim e, para evitar o ruído e
a vibração excessivos, um motor totalmente equilibrado, com
duas árvores girando em sentidos opostos.
Na
Inglaterra, a lei da bandeira vermelha, rigorosamente aplicada, e o limite
de velocidade de 6 km/h retardaram o desenvolvimento dos carros até
1896