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Cloud computing veio para ficar


O cloud computing já é uma realidade e ainda nem percebemos isso. Quer um exemplo: Você abre o Gmail. Olhando as mensagens lá está um comentário em seu blog, esperando para ser moderado. Basta um clique para ordenar a publicação do comentário, confirmada por uma janela do Blogger. Aproveitando a deixa, você cria um novo post. Então, lembra-se de que viu um vídeo de rock raríssimo no YouTube. Normalmente, seria preciso pegar o link dele para embutir no post, mas, com a conta do Google recém-atrelada ao site de vídeos, basta achá-lo em seus Favoritos e postá-lo automaticamente em seu blog, num segundo post, que pode ser formatado de dentro do próprio YouTube. Finalmente, você decide escrever um texto. Mais um clique e o Google Docs se abre no browser, pronto para a tarefa.

Isto é o que se chama de cloud computing: o uso de programas e serviços totalmente online, sem se
que você se preocupe com o que está salvo em sua máquina. Por acaso, os serviços citados acima são todos do Google e estão reunidos sob uma só identidade, mas o mesmo poderia ser feito com o Windows Live, reunindo Messenger, Hotmail, Spaces, Office Live e assim por diante. Hoje, aos poucos, os programas localizados em um PC estão sendo substituídos por versões na internet. "Cloud" (nuvem, em inglês) na verdade, é uma metáfora para a internet, que mudou para sempre o jeito de ser da computação.

Quando surgiu o Windows, ainda estávamos na época dos programas e computadores pessoais, e a informática ainda era uma área fechada para leigos. A internet, no entanto, ao se tornar comercial e mudar o foco da computação para a comunicação, permitiu aos usuários a busca de alternativas em softwares e funcionalidades. Na década que agora finda, ela começou a tomar corpo no mundo do trabalho, com a adoção cada vez maior de conceitos como computação distribuída, computação em grade e virtualização de máquinas. A Web 2.0, com a colaboração ativa em esquemas online, jogou a pá de cal na ideia da computação individualizada.

Vint Cerf, o criador do conceito da grande rede, já não é otimista sobre a nuvem.
- Vejo possíveis problemas na conexão entre nuvens, do mesmo modo que tivemos com a internet há trinta anos - comentou Cerf recentemente na rede. Ele também se preocupa com a privacidade das informações do usuário, embora reconheça que há muito pouca privacidade na internet de um modo geral.

Criadores de serviços que se valem da ubiquidade das informações em desktops, laptops, netbooks e smartphones sem dúvida celebram a tendência. Carlos Medina, diretor do serviço de mobile messenger social Nimbuzz, que usa voz sobre internet, chat, SMS, email, GPS e agrega numa conta móvel tudo que é site de relacionamentos, diz que a cloud veio para ficar - cada vez menos esparsa e mais integrada.

- Não faz mais sentido ficarmos presos a uma máquina "estática" (PC, celular, PDA...) simplesmente porque nela estão seus programas prediletos e seus arquivos - afirma . - Atualmente já existem ferramentas e tecnologia suficientes para deixarmos todos esses aparelhos 100% conectados e sincronizados a ponto de acessarmos todo esse material de onde e da forma que desejamos. Você pode checar seu email do celular, editar uma planilha eletrônica enquanto responde essa mensagem, até de dentro do metrô, e ao chegar ao escritório estar com esse material editado disponível no sistema.

Da mesma forma, o passado chega mais rápido a nós pela nuvem. Foi inaugurada há pouco a World Digital Library, que permite acesso gratuito a livros, documentos, mapas e fotos raras, numa iniciativa da ONU com a Biblioteca do Congresso dos EUA e mais 32 parceiros mundo afora. Tem versão em português - veja em www.wdl.org/pt.

Um dos segredos por trás da nuvem é a virtualização, tecnologia que substitui servidores e demais máquinas físicas e as digitaliza, compactando-as ao mesmo tempo. A virtualização torna a cloud possível, e através dela compram-se softwares como serviços e até desktops como serviços, isto é, em vez do PC, você leva uma versão virtual dele, acessável pela rede e devidamente adaptada para o seu trabalho.

Nem todos acham que a cloud computing é uma boa coisa. Richard Stallman, pai do movimento do software livre, diz que com seus dados online os usuários perdem controle sobre eles, ficando à mercê das empresas. Mitchell Baker, fundadora da Mozilla, vai na mesma direção ao lembrar que os ambientes online guardando nossos dados podem sair do ar. (Aliás, quantas vezes isso não aconteceu na história da internet? Basta ir ao Internet Archive para refrescar a memória.

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